Sites Grátis no Comunidades.net
GENÉTICA E MUSCULAÇÃO
GENÉTICA E MUSCULAÇÃO

 

 Genética e Musculação

    

 A carga externa aplicada a um músculo é o estímulo primário para o aumento do seu tamanho (1). Esta relação tem sido claramente ilustrada em vários modelos experimentais ( tenotomia, alongamento, exercício resistido). Em qualquer um destes modelos, a resposta para um aumento nesta carga (sobrecarga) é o aumento na massa e no conteúdo das proteínas musculares (2). Além disso, aumentos na massa muscular em resposta a aumentos na sobrecarga, correlacionam-se com aumentos da síntese protéica, sugerindo assim que o controle da síntese protéica tem um importante papel na regulação das mudanças na massa muscular em resposta às sobrecargas (3).

A síntese de proteínas é dividida em três etapas: de iniciação, alongamento e terminação (4). Embora estas três etapas sejam importantes neste controle, a etapa de iniciação tem sido mostrada como a etapa limitante na regulação da síntese protéica total.Três proteínas foram identificadas e são consideradas essenciais na regulação da etapa de iniciação. : eIF-2 (eukariotic iniciation factor), 4E-BP (4E-binding proteins) e a p70 S6k (70-kDaS6 proteína quinase ), sendo que a eIF-2 é responsável pela regulação da síntese protéica geral, enquanto que a 4E-BP e a p70 S6k são responsáveis pelo controle da síntese protéica nos aumentos da massa muscular esquelética. Recentemente mostrou-se que a p70S6k está relacionada com aumentos em células musculares lisas e células musculares cardíacas em resposta a um estímulo hipertrófico (5).

Acredita-se que a fosforilação/ativação da p70S6k tenha um importante papel no aumento da síntese protéica em resposta ao exercício resistido. Em um estudo realizado por Baar e Esser (1999) (6), pesquisou-se em ratos o papel da p70S6k no aumento da massa muscular em resposta ao exercício resistido. Após 6 semanas de treinamento (2 vezes/semana), aumentos significantes na massa dos músculos extensores e tibial anterior foram encontrados. Verificou-se também que no período entre 3 - 6 horas após o término de cada sessão de treinamento o nível de fosforilação da p70S6k dos músculos extensores e tibial anterior atingiu seu nível máximo, mantendo-se elevado por um período de 36 horas após o término da sessão, sugerindo assim que o treinamento resultou numa fosforilação máxima da p70 S6k, que se manteve aumentada por um longo período de tempo. A correlação que existe entre a fosforilação da p70S6k e aumentos na massa muscular a longo prazo, suger em que esta proteína desempenha um importante papel no crescimento do músculo esquelético e nas mudanças fenotípicas que acompanham este crescimento.

Apesar deste trabalho ter sido desenvolvido com ratos e não com seres humanos, deverá nos ajudar a responder algumas questões envolvidas com os praticantes de musculação: Por que certas pessoas conseguem alcançar altos níveis de hipertrofia muscular em resposta ao exercício, enquanto outras, mesmo com o uso de drogas, não conseguem obter os mesmos resultados? Uma hipótese provável (entre outras) seria uma deficiência no mecanismo de iniciação/fosforilação da p70S6k, que resultaria em uma capacidade de síntese protéica e aumentos na massa muscular reduzida. Possivelmente um campeão de musculação possua estes mecanismos em perfeito funcionamento, que, quando aliados a outros fatores (nutrição, ambiente, treinamento), lhe possibilitam desenvolver uma hipertrofia muscular acima da maioria de outros praticantes. Por isso, quando falamos que um campeão de Musculação já nasce campeão, estamos falando de Genética; se a Natureza privilegiou esta pessoa com aumentos excepcionais de sua musculatura, ela será capaz de atingir graus de desenvolvimento muscular acima da maioria dos praticantes de musculação comuns que, ainda que disponham dos mesmos recursos, não atingirão os mesmos resultados, pois seus organismos não foram desenvolvidos para tal fim.

Fonte: www.fepam.com.br